RNDS: a Rede Nacional de Dados em Saúde
A RNDS — Rede Nacional de Dados em Saúde — é a plataforma nacional de interoperabilidade em saúde do Brasil, desenvolvida pelo Ministério da Saúde. Seu objetivo é conectar os sistemas de informação de saúde de diferentes prestadores, laboratórios e redes para que os dados do paciente possam ser compartilhados de forma segura.
Para estabelecimentos de saúde, a RNDS representa uma obrigação crescente de integração. O Ministério da Saúde vem exigindo progressivamente a notificação de eventos clínicos — resultados de exames, vacinação, atendimento em pronto-socorro — pela plataforma.
Este guia explica o que a RNDS é, quais os principais documentos clínicos que ela movimenta e o que os estabelecimentos precisam saber para se integrar.
O que a RNDS movimenta
A RNDS é baseada no padrão HL7 FHIR (Fast Healthcare Interoperability Resources). Os principais documentos clínicos que circulam pela plataforma:
- Resultado de exame laboratorial — notificação obrigatória para exames de COVID-19, e em expansão para outros exames
- Registro de atendimento clínico — sumário de atendimento em UPA, pronto-socorro e hospital
- Registro de imunização — vacinação integrada ao SIPNI
- Sumário de alta hospitalar — documentação do desfecho da internação
A adoção é gradual e o Ministério tem publicado portarias estabelecendo prazos para cada tipo de integração.
CNS e CPF como identificadores
A RNDS usa o CNS (Cartão Nacional de Saúde) ou o CPF como identificador único do paciente. Sem um desses identificadores válidos, não é possível notificar eventos à RNDS.
Isso reforça a importância de capturar o CNS do paciente no momento do atendimento — algo que já é obrigatório no BPA-I, na AIH e na APAC, mas que nem sempre é feito de forma consistente em pronto-socorros e urgências.
Integração com sistemas hospitalares
A integração com a RNDS é feita via API REST usando tokens de acesso emitidos pelo GOVBR. O estabelecimento precisa ter um sistema de informação (HIS, LIS, RIS) que suporte a geração e envio de documentos no padrão FHIR.
Sistemas como o PEC do eSUS para atenção básica já são integrados nativamente. Para hospitais com sistemas próprios, a integração precisa ser desenvolvida pelo fornecedor do sistema ou pela equipe de TI interna.
O Ministério da Saúde disponibiliza documentação técnica, ambiente de homologação e suporte aos desenvolvedores pelo portal da RNDS.