O que é a CIAP-2 e como é usada na atenção básica
A CIAP-2 — Classificação Internacional de Atenção Primária, segunda edição — é o sistema de classificação desenvolvido especificamente para a atenção básica em saúde. Enquanto o CID-10 foi criado para classificar doenças e causas de morte em contexto hospitalar, a CIAP-2 foi desenvolvida para registrar os motivos de consulta, os problemas de saúde e os procedimentos típicos do cuidado primário.
Na atenção básica, boa parte dos atendimentos não envolve diagnóstico de doença — são consultas preventivas, acompanhamento de hipertensão, orientação nutricional, vacinação. A CIAP-2 tem categorias específicas para esses contextos que o CID-10 não cobre bem.
Com a adoção do Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) pelo eSUS, a CIAP-2 se tornou obrigatória nos registros da atenção básica em todo o Brasil.
A estrutura da CIAP-2
A CIAP-2 tem 17 capítulos, cada um representado por uma letra do alfabeto de A a Z (exceto alguns). A maioria dos capítulos corresponde a sistemas orgânicos — capítulo K para cardiovascular, capítulo R para respiratório, capítulo D para digestivo.
- Capítulo A: geral e inespecífico
- Capítulo B: sangue, órgãos hematopoiéticos e imunológicos
- Capítulo K: cardiovascular
- Capítulo P: psicológico
- Capítulo Z: problemas sociais
Dentro de cada capítulo, os códigos são divididos por tipo: sintomas/queixas (1-29), diagnósticos/doenças (70-99), e procedimentos (50-69).
Diferença entre CIAP-2 e CID-10 na prática
A diferença principal é o foco: a CID-10 classifica doenças e condições; a CIAP-2 classifica o encontro clínico — o que o paciente sentiu (motivo da consulta), o que o profissional identificou (problema de saúde) e o que foi feito (procedimento).
No eSUS/PEC, o registro segue a estrutura SOAP (Subjetivo, Objetivo, Avaliação, Plano). A CIAP-2 entra na avaliação como classificação do problema identificado — podendo ser um sintoma, uma doença diagnosticada ou uma condição de acompanhamento.
CIAP-2 e o Previne Brasil
O Previne Brasil é o modelo de financiamento da atenção primária vigente desde 2020, que vincula parte do repasse federal ao desempenho em indicadores de saúde. Vários indicadores do Previne Brasil dependem de registros corretos na CIAP-2.
Por exemplo, o indicador de acompanhamento de hipertensão exige registro de consulta com CIAP-2 K86 ou K87 (hipertensão sem ou com órgão-alvo). Registro incorreto significa não computar o atendimento no indicador e, consequentemente, menor repasse financeiro.
O UniSUS Atenção Básica oferece busca completa da CIAP-2 com descrições e correspondências com o CID-10.